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Para sempre Alice

Oi, gente! Depois de uma semana off por motivos bem mais fortes que eu gostaria, tô de volta com uma coluna chamada Lô Indica, onde eu vou resenhar livros e fazer indicações de filmes! E para a grande estreia eu vou indicar um dos filmes mais lindos que eu vi já faz algum tempinho, mas que não podia deixar de citar aqui, né? Não gosto de filmes de drama porque no geral eles elevam esse sentido da palavra ao nível extremo – e isso quando não cruzam a linha do aceitável.

Pelo menos, é isso o que eu sinto na maioria das vezes em que me deparo com um filme ou livro desse gênero; e em parte porque eu sinto que a minha vida já tem coisas horríveis demais para lidar, ver um filme assim não deve melhorar o humor… E no entanto, o que quer que tenha me levado a assistir esse filme em questão (fosse a curiosidade movida pelas críticas, o tédio ou só porque foi a primeira coisa que apareceu no Netflix), fico grata. Antes de tudo, eu revi o filme recentemente, só para ver se minhas considerações se mantém intactas ou se realmente precisaria adicionar algo. A mensagem por trás de Para sempre Alice é trazida de uma forma sutil, levando o público a questionar-se quantas pessoas não sofrem com a doença. Imagine o seguinte: você é um profissional de renome. Você vê toda a sua vida bem estruturada, um casamento feliz, filhos com quem você mantém uma relação saudável (com exceção de uma, mas já vamos chegar lá!) e, quando você menos espera, boom. Tudo vira de pernas pro ar porque você não consegue se recordar de certas coisas. Sua memória falha. Durante boa parte do filme, foi exatamente isso que eu fiz. Me coloquei sem querer no lugar de Alice, e também de sua família.

A proposta do filme é básica, é simples. Entretanto, consegue repassar um drama que é vivenciado por muitas famílias com uma força e intensidade tamanhas que fazem qualquer um se emocionar. Interpretando uma mulher que demonstra sua personalidade calma e determinada desde o início, você acompanha uma pessoa se definhar, bem à sua frente. Vamos começar pelo elenco: Julianne Moore e Alec Baldwin são nomes grandiosos na indústria? São. Mas particularmente, acho que a Kristen Stewart aí está fazendo ponta só para dar mais um pouquinho de “peso” (não me julguem, só não acho que ela seja uma atriz tão excelente assim e só gostei dela atuando em The Runways). O filme tem um elenco pequeno, mas a estrela principal é, obviamente, a querida Moore. Não gratuitamente, né? Há pessoas que mesmo fazendo o papel principal, não conseguem ser as estrelas. Não conseguem se destacar. Essa mulher, claro, consegue. Tanto que levou o Oscar 2015 na categoria de Melhor Atriz para casa, né?

still-alice-julianne-moore

Não é um filme espetacular em trama. Não traz surpresas, e nem mesmo drama numa medida incômoda que te faz querer sair correndo e cortar os pulsos. É muito mais um longa que lida com os problemas de uma mulher que começa a perder-se. É sobre isso, talvez, que seja válido ressaltar: é um filme sobre não se perder, mesmo que isso “seja impossível”. É capaz, também, de retratar na tela o característico problema que muitas pessoas enfrentam ao se deparar com essa doença: os laços familiares que são abalados, as dificuldades que vão se acumulando com o passar do tempo. Repassa a mensagem clara de que sofrer com Alzheimer é a mesma coisa que se perder e nem todos têm a capacidade de se reencontrar; e talvez por isso ele tenha sido um filme tão marcante, tão profundo: porque mostra a capacidade de lutar não contra, mas consigo mesmo.

Com um roteiro forte elaborado por Richar Glatzer Wash Westmoreland, que são também os diretores, os diálogos são emocionantes e fortes, trazendo a quem está assistindo o filme criar um laço de conexão com o enredo. A atuação de todos os personagens que rondam Alice e como a vida se mostra cada vez mais recheada de problemas mesmo quando a mulher não espera. Duas das cenas mais marcantes, particularmente, é quando ela está dentro de um consultório médico e todas as palavras que ele pede para ela soletrar, ela o faz. Até de trás para frente. Em contrapartida, a cena é repetida e vemos ali o sufoco por Alice não conseguir completar a mesma tarefa. A fotografia é simples, sem muitos detalhes, sem muitos enfeites, mas tão relaxante que beira ao confortável.

A direção foi realmente bem elaborada e o elenco – especialmente o núcleo entre Julianne e Alec, que interpretam o casal – foi realmente encantadora. Alice passa por diversos estágios – dos mais simples aos ataques de desespero por não encontrar algo. Uma coisa, porém, me chamou mais atenção. O modo como eles deram destaque à personagem da Lydia, filha caçula com quem Alice não tinha um contato tão grande por não apoiar a garota a ser uma atriz de teatro. Kristen Stewart conseguiu se conectar com o papel (pelo menos aparentemente) visto que o longa também foca no relacionamento entre mãe e filha. Por muitos momentos, eu fiquei imaginando como eu reagiria diante a situação, não sendo a filha mais velha e morando do outro lado do país.  Dentre as intrigas familiares que acontecem e também o problema de uma família que precisa superar uma doença e suas próprias desavenças.

Para sempre Alice crítica

E então, gostam de posts assim? Porque, se a resposta for positiva, podem sempre esperar indicações de filmes e, melhor ainda, livros! ♥

Lorena Schveper

Catarinense, teimosa por natureza. Metida a escritora e psicóloga, às vezes fazendo bico na arte de procrastinar. Bookaholic desde que se entende por gente, encontrou nas palavras a arte de amar. Tagarela que lê de tudo, até bula de remédio. Designer, unicórnia, cacheada, apaixonada por café. 🦄❤️

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